Conheça os impactos da LGPD no mercado imobiliário

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Com o surgimento e evolução da internet, novas tendências globais sobre a utilização de dados pessoais obtidos por empresas privadas virou uma pauta muito discutida, principalmente por causa da criação de leis como a Lei LGPD.

Por causa da necessidade crescente que surgiu ao redor do mundo nos últimos anos, centenas de leis para proteção de dados também surgiram ao redor do mundo e o Brasil não ficou de fora dessa, criando a LGPD.

A necessidade de regulamentações políticas para os usos de dados pessoais fez com que, no ano de 2018, o Governo criasse a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com o intuito de traçar um rumo para toda a privacidade e segurança dos dados do país.

Conheça mais sobre o que é LGPD aqui!

LGPD significado, LGPD resumo. | Foto: Unsplash.

O que é LGPD

Antes de procurar “LGPD o que é”, conheça aqui o que significa LGPD! A LGPD é a sigla de Lei Geral de Proteção de Dados, e ela foi sancionada em agosto de 2018, garantindo a proteção e a transferência de dados naturais para pessoas físicas ou jurídicas.

A LGPD estabeleceu normas sobre a coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais por empresas, tendo penalidades para aqueles que não cumprirem as regras.

Essas penalizações começaram a valer depois de agosto de 2020, e as multas podem chegar a 2% do faturamento anual de uma empresa, com um limite máximo de R$50 milhões.

A LGPD teve inspiração na lei europeia GDPR (General Data Protection Regulation), que foi criada após o vazamento em massa de dados de usuários do Facebook, no escândalo que envolveu o Brexit e a empresa de dados Cambridge Analytica.

Como a LGPD pode impactar o mercado imobiliário?

A LGPD também pode impactar o mercado imobiliário, pelos seguintes motivos: 

Mapeamento de dados

O mapeamento de dados é uma técnica cada vez mais necessária para que se evite a perda e vazamento de informações, podendo melhorar também a organização, evitando o acúmulo de papeladas desnecessárias na empresa. 

Fora isso, para seguir todas as normas estabelecidas pela LGPD, é necessário fazer um mapeamento e revisão dos documentos que a imobiliária já possui em seu banco de dados. Uma boa organização desses dados permite que você consiga localizar e excluir os dados de forma mais rápida quando receber uma solicitação de um cliente.

Uma imobiliária pode dividir seus dados conforme a LGPD estabelece, para conseguir uma maior organização. Desse jeito, ficaria:

  • Pessoais: dados em que é possível identificar uma pessoa, como o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e Carteira de Identidade (RG);
  • Anonimizados: quando não existe forma de identificar esses dados;
  • Sensíveis: os dados que expõem as preferências dos clientes, como a religião, orientação sexual e outros dados que podem ser considerados sensíveis quando expostos a terceiros.

Comitê moderador

Além da organização de dados, é necessário criar um comitê moderador, para que aconteça uma intermediação da comunicação entre o governo, titular de dados e a empresa.

Esses profissionais que fazem parte do comitê e os responsáveis por essa intermediação são obrigados a orientar os funcionários da imobiliária, para que exista um uso correto dos dados que foram coletados, além da privacidade exigida pela LGPD. 

Aumento da segurança da informação

Todas as empresas do setor de imóveis, como as imobiliárias, lidam diariamente com diversas informações e dados de seus clientes. Com a LGPD, a segurança da informação ganha ainda mais visibilidade e importância, porque dados como documentos pessoais, contas, assinaturas, contratos e endereço residencial precisam ser lidados com um cuidado imprescindível.

Com toda a segurança da informação e a prática da LGPD pelas equipes, as chances de que aconteça uma invasão ou vazamento de dados são bem menores do que seria sem a LGPD. 

Otimização do marketing

Esse é outro impacto da LGPD a ser citado, a otimização de tempo dentro da aplicação de estratégias de marketing no mercado imobiliário.

Quando a imobiliária faz uso apenas dos dados que foram permitidos pelos clientes, ela consegue fazer uma diminuição do tempo gasto com outros dados desnecessários, e na hora de oferecer e vender mais imóveis, lançamentos ou ofertas, apenas as informações necessárias serão utilizadas pelos leads. 

Como fica a segurança da informação e a privacidade para os clientes?

O fundamento principal da LGPD é manter uma transparência em relação ao uso dos dados pessoais. Para que essa transparência ocorra, é crucial que os clientes da imobiliária estejam integrados sobre a utilização dos dados que concederam.

Além disso, essa empresa deve sempre ser responsável pela segurança desses dados e pela garantia de que eles não serão vazados posteriormente, e de que não serão compartilhados sem que o titular tenha ciência.

Ou seja, isso significa que quando um corretor ou imobiliária for coletar um dado direcionado para alguma transação comercial, por exemplo, essas informações não podem ser reutilizadas para nenhuma finalidade que o titular não saiba, como campanhas ou ações de marketing feitas para o produto daquela empresa, e muito menos poderão ficar a mercê de qualquer outra pessoa.

Como as imobiliárias podem se adequar a lei?

A LGPD obriga que o compartilhamento de dados entre as imobiliárias ou corretores estejam de acordo com suas normas, para que consigam evitar multas ou outros possíveis desdobramentos negativos. Ou seja, cada um desses processos que envolva qualquer tipo de dado de clientes deve sempre ser regularizado de acordo com a LGPD.

O mercado imobiliário deve estar sempre atento à questão que foi trazida pela LGPD em relação ao “legítimo interesse”. É necessário que ocorra a utilização dos dados dos clientes apenas para as finalidades legítimas, de forma que o titular dos dados (no caso o cliente) sempre tenha ciência do que o controlador (imobiliária ou corretor) faz com os dados.

Para que essas empresas se adaptem à LGPD sem que ocorra nenhuma intercorrência, é necessário que elas aprimorem todos os processos internos de dados, além de treinar toda a equipe de colaboradores para que saibam lidar com as novas demandas, e principalmente, fazer o mapeamento interno desses dados.

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